Me
pergunto o que a antiga eu diria, se visse isto, se soubesse como me sinto agora. Certamente não me reconheceria. Como a antiga sensação de se olhar no
espelho e quem ver ser totalmente... estranho. Nunca fui boa em saber como me
sinto, em separar cada sentimento misturado como um novelo de lã em minha
cabeça. Não sou boa em falar de sentimentos, tampouco. Sou boa em sentir,
apenas. E não ser capaz de fazer nada em relação a isso, e em não saber como
lidar com isso. Sinto como se tudo estivesse errado, como se não me fosse
permitido nada bom por mais do que alguns segundos. Como se ninguém realmente
houvesse olhado para mim, como se ninguém pudesse realmente dizer que me conhecesse. Sempre fui boa em ler as pessoas, as intenções das pessoas, a
alma delas, mas talvez esse seja o meu lugar no mundo. Nos bastidores. Uma observadora. Uma
caçadora de beleza, de algo dentro de alguém que faz algo dentro de si mesmo se
acender. Talvez me seja apenas permitido conhecer, mas não desfrutar. Talvez eu
seja apenas o guia da flecha. E isso tudo não tenha sentido. Talvez achar o
equilíbrio seja mais sensato, mas quem é sensato quando é consumido por algo?
Não ser capaz de sentir nada ou sentir tudo, e tentar descobrir o que é menos
problemático. Talvez eu só esteja complicando tudo, e a culpa seja minha. Talvez
se me conformasse... Mas cada vez que acho que não está aí, que a superei enfim,
a esperança de que seja diferente já está enraizada como uma erva daninha em mim. E talvez essa
seja a razão pela qual não consigo dormir. E talvez se houvessem menos “talvez”,
eu não estivesse escrevendo isso.
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