quarta-feira, 7 de agosto de 2013
tic
Sinto-me bem.
Mesmo não sentindo nada.
Não me importo, não quero saber.
Sobre nada, sobre ninguém.
A partir deste ponto...
Poderia afirmar estar com medo.
Mas uma coisa dentro de mim me mantém fria.
Sinto as borboletas no estômago
Mas não sinto a histeria.
Estou sã!
E qualquer que fosse a agonia
Pensar nisso só me traria enfastia.
stuck
"Inexprimível teto de tênebras, alta obscuridade
sem mergulhador possível; luz mesclada à obscuridade, mas uma luz vencida e
sombria; claridade reduzida à pó, é semente? é cinza? milhões de fachos,
claridade nula; vasta ignição que não diz o seu segredo, uma difusão de fogo em
poeira que parece um bando de faíscas paradas, a desordem do turbilhão e a
imobilidade do sepulcro, o problema oferecendo uma abertura de precipício, o
enigma desvendando e escondendo sua face, o infinito mascarado com a escuridão,
eis a noite. Pesa no homem esta superposição"
-Victor Hugo
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
thea
Me
pergunto o que a antiga eu diria, se visse isto, se soubesse como me sinto agora. Certamente não me reconheceria. Como a antiga sensação de se olhar no
espelho e quem ver ser totalmente... estranho. Nunca fui boa em saber como me
sinto, em separar cada sentimento misturado como um novelo de lã em minha
cabeça. Não sou boa em falar de sentimentos, tampouco. Sou boa em sentir,
apenas. E não ser capaz de fazer nada em relação a isso, e em não saber como
lidar com isso. Sinto como se tudo estivesse errado, como se não me fosse
permitido nada bom por mais do que alguns segundos. Como se ninguém realmente
houvesse olhado para mim, como se ninguém pudesse realmente dizer que me conhecesse. Sempre fui boa em ler as pessoas, as intenções das pessoas, a
alma delas, mas talvez esse seja o meu lugar no mundo. Nos bastidores. Uma observadora. Uma
caçadora de beleza, de algo dentro de alguém que faz algo dentro de si mesmo se
acender. Talvez me seja apenas permitido conhecer, mas não desfrutar. Talvez eu
seja apenas o guia da flecha. E isso tudo não tenha sentido. Talvez achar o
equilíbrio seja mais sensato, mas quem é sensato quando é consumido por algo?
Não ser capaz de sentir nada ou sentir tudo, e tentar descobrir o que é menos
problemático. Talvez eu só esteja complicando tudo, e a culpa seja minha. Talvez
se me conformasse... Mas cada vez que acho que não está aí, que a superei enfim,
a esperança de que seja diferente já está enraizada como uma erva daninha em mim. E talvez essa
seja a razão pela qual não consigo dormir. E talvez se houvessem menos “talvez”,
eu não estivesse escrevendo isso.
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